Apologética Católica

Explicando e defendendo a Fé


No tópico sobre se o rito gregoriano é o rito de sempre, Thiago citou uma variação do rito romano moderno chamada anglican use. Pesquisei um pouco sobre o assunto, mas só encontrei artigos em inglês (que quase não leio), por isso gostaria que os confrades desenvolvessem algo sobre essa variedade litúrgica aqui.

Compartilhar

Responder esta

Respostas a este tópico

Os anglo-católicos americanos, por concessão de Sua Santidade o Papa João Paulo II ganharam a permissão de manter seu ethos próprio, na arte e na liturgia, o que acabou gerando o nascimento de uma variação do rito romano (do moderno e do tradicional) chamada anglican use (uso anglicano do rito romano).

Pelo que pude notar até hoje, o anglican use tem elementos tanto do rito paulino (+ internamente que externamente) quanto do rito gregoriano (+ externamente que internamente), emoldurados por aquilo que foi vivido pelos anglo-católicos desde Newman. O Book of Divine Worship (Livro da Divina Liturgia) possui todos os textos aprovados para essa variação do rito romano (ele está na nossa biblioteca, na parte de liturgia).

Neste site podemos encontrar o Ofício Divino segundo o anglican use:

http://www.bookofhours.org/

Aqui temos duas grandes paróquias que fazem uso dele:

http://www.walsingham-church.org/

http://www.atonementonline.com/index.php

É bom lembrar que os padres desse rito são, em geral, casados, pois são reverendos anglicanos convertidos, mas, no futuro, os novos padres terão de ser celibatários (os diáconos podem ser casados).

O rito próprio dos anglo-católicos:


sofreu algumas modificações para ficar limpo de qualquer "tempero calvinista" e se transformou nisto:

Responder esta

Mas por que só no pontificado de João Paulo II esses anglicanos foram procurar a Igreja?

Responder esta

Na verdade não foi só no pontificado de João Paulo II que os anglo-católicos foram procurar a Igreja, o início desse retorno data do século XIX (é só pensar no Cardeal Newman). Contudo, a hegemonia que os liberais ganharam dentro do anglicanismo a partir da década de 1970 fez com que vários grupos, em massa, rompessem com Cantuária (formando as chamadas "igrejas continuantes") ou buscassem a Santa Igreja.

Esse antigo movimento em prol das raízes católicas do anglicanismo chegou a gerar um Missal próprio:

http://home.comcast.net/~acbfp/knottmissal.html

e um Breviário:

http://www.anglicanbreviary.net/

http://anglicanhistory.org/misc/breviary.html

E seu patrimônio litúrgico e espiritual fica patente, por exemplo, quando padres tradicionalistas da Fraternidade de São Pedro, na falta de algo semelhante à Oração das Horas (a versão menor do Ofício do rito paulino) para o rito tradicional, recomendam, como oração privada, o Breviário anglicano (que é em grande parte baseado no próprio Ofício tradicional, juntando elementos de suas variações, como a dos dominicanos).

Desse modo, espero que com o desenvolvimento das comunidades agraciadas com o anglican use, a via anglo-católica seja reconhecida como um caminho que pode levar à conversão de inúmeros protestantes e à reflexão sobre uma série de temas (que vão desde a arquitetura até à disciplina do celibato).

Responder esta

O uso anglicano é apenas pra os anglo-católicos americanos? E os que se converteram fora dos EEUU?

Responder esta

Bem, concretamente o anglican use é uma liturgia híbrida que foi organizada para atender à demanda de anglo-católicos americanos que queriam se converter ao catolicismo, mas nada impede que, havendo as mesmas condições encontradas nos EUA, ele seja permitido em outros países. De fato, já li que na Inglaterra alguns anglicanos se interessaram, mas os bispos de lá, temerosos de terem uma leva de fiéis conservadores e liturgicamente tradicionais, colocaram obstáculos até não poder mais...

----

Coloquei o gradual do anglican use na nossa biblioteca.

Responder esta

Qual a história da liturgia anglicana? Já vi, na internet, eles celebrando num estilo parecido com o rito latino-gregoriano, outras vezes com o rito latino-paulino e outras num estilo bem protestante, próximo a um culto dos presbiterianos.

Responder esta

Essas variações ocorrem porque na mesma base material, o Livro de Oração Comum (LOC), eles podem acrescentar ou não uma série de coisas. As rubricas dos LOC´s, em geral, são bem soltas e, além disso, os anglicanos não costumam cobrar muito o cumprimento das leis litúrgicas uns dos outros (embora, no começo do movimento anglo-católico, na Inglaterra, alguns sacerdotes tenham sido presos por passarem a usar roupas litúrgicas mais elaboradas - casula - e colocarem velas nas suas igrejas).

O Livro de Oração Comum pretende preservar toda a herança litúrgica da Igreja, sem abrir mão da Reforma. O professor W. Walker (História da Igreja Cristã, p. 88) diz que em grande parte Cranmer (o criador do LOC):

"...se baseou nos velhos ofícios ingleses em latim e em alguma coisa do Breviário romano revisado, cuja publicação se deu em 1535 pelo Cardeal Fernandez de Quiñones, e do Consultatio de tendências luteranas de Hermann von Wied, arcebispo de Colônia, publicado em 1543."

O primeiro LOC (1549) tinha seu objetivo muito bem exposto no seu prefácio, que assim dizia:

"Por esta ordem, os curas não necessitarão de outros livros para seus serviços litúrgicos públicos, mas este livro e a Bíblia, por meio dos quais o povo não necessitará de tantos livros como sucedia em tempos passados. E de onde antes, havia tanta diversidade em recitar e cantar dentro deste reino (alguns seguindo o rito de Salisbury, alguns o de Hereford, outros o de Bangor, alguns o de York e outros o de Lincoln), de agora em diante todo reino terá um só rito."

Como se pode notar, a liturgia anglicana nasceu refratária a variações, mas a própria dinâmica do protestantismo fez com que isso fosse superado.

A composição básica do primeiro LOC era a seguinte:

1) Ofícios Matutino e Vespertino;

2) Eucaristia;

3) Confirmação;

4) Matrimônio;

5) Unção dos enfermos;

6) Ofício de sepultura.

Depois dele, outras versões foram publicadas (em especial para atender às demandas de protestantes radicais):

I - 1552

II - 1559

III - 1604

IV - 1662

As versões atuais, até recentemene, eram variações do LOC de 1662, destacando-se a americana de 1928 (preferida pelos anglo-católicos que usam esse livro). Hoje, contudo, existem versões, como a brasileira de 1984, que levam em conta a versão americana de 1979 (segundo seus críticos, muito influenciada pela cultura contemporânea e pelo liberalismo teológico).

Responder esta

"...preferida pelos anglo-católicos que usam esse livro..."

Então nem todos usam o LOC? Como isso influenciou o anglican use?

Responder esta

Não, nem todos usam o LOC. Como disse acima, alguns usam uma versão anglicana do Missal (o chamado Anglican Missal).

Responder esta

Vídeo de uma Missa completa


Responder esta

Achei uma maravilha a Missa no anglican use. É como se ela aplicasse às virtudes do rito gregoriano aquilo que era de fato a reforma pleiteada no Vaticano II (como o uso de leitores leigos), adicionando, além disso, certas peculiaridades anglicanas, como a recitação do decálogo (ou de seu resumo). O único problema foram certas concessões feitas a pedido (pressão?) de Piero Marine no sentido de aproximá-lo ao rito paulino, como relata o Pe. Christopher G. Phillips (http://www.newliturgicalmovement.org/2009/06/cardinal-dinardo-book-...):

"Those of us who use the Book of Divine Worship on a daily basis are among the first to make the point that there is a great need to improve and unify it. Lest anyone think we are satisfied with the injection of ICEL texts into traditional English texts, please understand the circumstances under which the BDW was compiled. I was but one member of the special commission given the task of compiling the liturgy in 1983, but there were many others on the commission who apparently had another agenda -- individuals such as Piero Marini -- and it was because of their insistence that there had to be such things as the inclusion of the contemporary-language Psalter, the N.O. offertory rite, etc. Quite frankly, I was pushing for an acceptance of something resembling much more closely the Anglican Missal, or the English Missal. We did have a slight victory when we were allowed to have the Gregorian Canon in traditional English, and that small step will, I hope, open the door to a revision of the BDW which will more closely resemble the liturgical life which most of us were accustomed to at the time of our conversion to the fullness of Catholic faith.

But please -- those of you who are eager to point out the shortcomings -- you're not saying anything we don't already know, and we're working hard and praying to remedy it. As the saying goes, '...brick by brick...' and that's true for not only for the wider Western liturgy, but also for our little corner of it."

Responder esta

Thiago Santos de Moraes disse:
Não, nem todos usam o LOC. Como disse acima, alguns usam uma versão anglicana do Missal (o chamado Anglican Missal).

Mas eles podem ficar mudando assim seus próprios livros litúrgicos (mesmo levando em conta que eles não tem a nossa disciplina sobre o assunto)?

Responder esta

Responder esta

RSS

Sobre

Thiago Santos de Moraes Thiago Santos de Moraes criou esta rede social no Ning.

© 2009   Criado por Thiago Santos de Moraes no Ning.   Crie Sua Rede Social

Badges  |  Relatar um incidente  |  Privacidade  |  Termos de serviço

Entrar no bate-papo